segunda-feira, 9 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
A “Shekina” de Deus está aqui. “Shekiná”?
Por Pr. Marcello de Oliveira.
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É normal ouvir em nossos cultos, congressos, seminários, a palavra “Shekiná”. Desde adolescente ouço esta palavra na igreja. Pregadores a usam com freqüência. Os “ministros do louvor” têm o hábito de usá-la. Temos até um cântico muito conhecido: “Derrama a tua “shekiná” sobre nós.
Agora pergunto: De onde tiramos a palavra “shekiná”? O que significa esta palavra? Será “shekiná” uma expressão encontrada nas Escrituras?
Começando pela última pergunta, a palavra “shekiná” não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras! Penso que você neste momento está perplexo. Esses dias atrás, pregando em uma grande igreja aqui em São Paulo , falei sobre isto no púlpito e imagine a reação que isto causou no plenário, bem como nos obreiros que ali estavam. Após o término do culto, várias pessoas me pararam e diziam: Pr. Marcelo, já ouvimos vários “pregadores de renome” falar desta palavra, e agora o Sr está dizendo que não existe? Será que o Sr não está enganado?
Exatamente aqui reside nosso problema. Nós ouvimos os “grandes pregadores” falarem, e aceitamos tudo. Não procuramos pesquisar, averiguar, perscrutar. Tudo o que é novidade, e é falada por alguém de “peso”, nós aceitamos e logo começamos a falar. Falta em nosso meio, cristão bereanos, que analisam a cada dia as Escrituras, para verem se está correto ( At 17.11). Notemos que era Paulo que estava pregando! Homem de cultura invulgar, conhecedor de toda lei judaica, e acima de tudo, um dos maiores pregadores que o mundo conheceu. Ora, se Paulo teve que passar no crivo dos bereanos, o que dizer de nossos pregadores? Serão estes maiores que Paulo?
Mas voltando ao assunto da palavra “shekiná”, este vocábulo não aparece na Bíblia Judaica [Tanakh] nem no N.T, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica -?-? -?(sh-k-n), cujo significado é “habitar”, “fazer morada”. Se perguntarmos a qualquer irmão, o que significa esta palavra, todos dirão: a glória de Deus, presença de Deus. Acontece que, “shekiná” não significa nada disso! O vocábulo “glória” no hebraico é “kavód” – o peso da glória de Deus. Então, quando cantamos: Derrama tua “shekiná” aqui, estamos dizendo: Derrama a tua habitação aqui. Soa estranho, não? Pedir para o Eterno derramar a habitação Dele sobre nós? Não consigo entender! Pois Ele já habita em nós, através da pessoa do Espírito Santo (ICo 6.19).
A “shekiná”, como uma idéia concreta, aparece só na literatura rabínica, havendo somente “alusões” a esta presença divina, no meio do povo de Israel, na Torá, quando Deus disse ao seu povo “???????? ??? ????????? ????????????? ?????????” – “e fareis um santuário para Mim, e habitarei no meio deles (dos israelitas)”[1];”????????????? ???????? ?????? ??????????, ?????????? ????? ?????????” – “e habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei-lhes por Deus”[2]; e “??????? ???????? ????????? ?????? ???????” – “o Eterno dos exércitos, aquele que habita em Sião”[3].
Conclusão
Vimos por meio deste singelo estudo que a palavra “shekiná” não está nas Sagradas Escrituras. Aprendemos também que “shekiná” não significa: glória, presença de Deus. Ela vem da raiz “shakhan” que significa – habitar, fazer morada. Esta idéia de “skekiná” aparece somente na literatura rabínica, onde os judeus cabalistas [4] começaram a usá-la a partir do séc. XIII. Devemos estar sempre prontos a aprender e não ir além da Escritura. Foi o que Lutero disse para Erasmo: “A única diferença entre eu [Lutero] e você [Erasmo] é que eu me coloco debaixo da autoridade das Escrituras, e você se coloca acima dela”.
No amor de Jesus, Pr. Marcello de Oliveira.Notas:
[1] Exodo 25.8 – “Shakhan’ti” [ habitarei]
[2] Exodo 29.45 -”Shakhan’ti” [ habitarei]
[3] Isaías 8.18 – “Shakhen” [ habito]
[4] Cabala é um sistema religioso-filosófico que investiga a natureza divina. Kabbalah (QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção. É a vertente mística do judaísmo.
[2] Exodo 29.45 -”Shakhan’ti” [ habitarei]
[3] Isaías 8.18 – “Shakhen” [ habito]
[4] Cabala é um sistema religioso-filosófico que investiga a natureza divina. Kabbalah (QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção. É a vertente mística do judaísmo.
Autor: Pr. Marcello de Oliveira
Em Cristo,
André Gonçalves
terça-feira, 20 de março de 2012
Paulo em Atenas – Pregação em meio aos “sábios”.
Em Atos dos Apóstolos, Lucas registra que Paulo, continuando a viagem pela Grécia, chegou a Atenas – Atos 17. 1-34.
Paulo havia estado em Tessalônica onde, conforme nos relata o texto de Atos 17. 1-4 havia uma sinagoga de judeus, e por três sábados discorreu sobre as Escrituras, expondo o Evangelho. Muitos dos ouvintes creram na pregação de Paulo, mas alguns judeus desobedientes e movidos por inveja tumultuaram o ambiente por causa da pregação de Paulo (Atos 17. 5-9). Logo após os irmãos de Tessalônica enviaram Paulo e Silas a Beréia.
Beréia nos é extremamente conhecida pela atenção dos irmãos desta cidade, que a “cada dia examinavam nas Escrituras se estas coisas eram assim.” Atos 17. 11. Novamente os judeus de Tessalônica perturbaram o trabalho evangelístico, pois sabendo eles que a palavra de Deus era anunciada por Paulo em Beréia, foram até lá e provocaram a multidão contra Paulo e Silas. No mesmo instante os irmãos de Beréia conduziram Paulo até o mar para ir em viagem até Atenas, mas Silas e Timóteo ficaram ali.
Paulo em Atenas.
Atenas havia liderado a resistência grega aos invasores persas em 490-479 a .C. Os grandes templos da Acrópole que os persas haviam destruído tinham sido reconstruídos e estavam de pé há quase cinco décadas quando Paulo chegou. A construção mais importante era o Parthenon, um templo com 69m de comprimento e 31m de largura, dedicado à deusa Atena. Atenas era a cidade que havia abrigado os grandes dramaturgos Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes, bem como os filósofos Platão e Aristóteles. Era conhecida como uma cidade universitária.
Paulo ficou profundamente entristecido, pois o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria. A história relata que havia em Atenas mais estátuas de deuses do que em todo o resto da Grécia. Um grupo de filósofos epicureus e estóicos começou uma discussão com o apóstolo Paulo e ele foi levado ao famoso conselho do Areópago que, em outros tempos, havia governado a cidade.
A base da discussão era o Evangelho que Paulo pregava, pois estando a aguardar seus companheiros que ficaram em Beréia (Silas e Timóteo), pregava a palavra de Deus na sinagoga e na praça. A pregação de Paulo chegou a irritar aqueles “sábios” filósofos atenienses, a ponto de chamarem-lhe de paroleiro, ou seja, um pseudo-intelectual que insiste em falar pomposamente. Infelizmente a cegueira espiritual dos intelectuais do Areópago, fez com que eles não vissem em Paulo um verdadeiro mensageiro da verdade.
Chego à conclusão de que mesmo estando em meio aos considerados mais sábios dos homens daquela época, Paulo não temeu a falsa sabedoria (I Tim. 6.20) e lhes anunciou à Cristo. A palavra de Deus nos diz que alguns creram na pregação de Paulo, entre os tais estava Dionísio, um areopagita (membro do Areópago) e uma mulher de nome Dâmares e, com eles, outros. Atos 17. 34
Às vezes nos deparamos em meio a pessoas de alta posição social, e aparentemente extremamente sábias. Mas a sabedoria delas é terrena, mas o cristão espiritual possui sabedoria do céu e discerne bem tudo (I Cor. 2.15), e esta quem dá é Deus, para que nós venhamos a pregar o Evangelho sem temer as aparências.
Em Cristo,
André Gonçalves.
Bibliografia:
Lawrence, Paul – Atlas histórico e geográfico da Bíblia – SBB pág. 156;
Esboço da ministração da Palavra em 08.03.2012 – Culto público – Igreja Batista, Candiota/RS.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Separados para fazer a diferença.
“...Eis que tenho observado que este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus.” II Reis 4.9b
A narrativa bíblica de II Reis 4, a partir do vs 8 conta a história dos acontecimentos que sobrevieram a família de uma mulher sunamita. O profeta Elizeu em suas viagens frequentemente passa por Suném, que ficava perto de Jezreel.
Não vou me deter nos acontecimentos que sobrevieram sobre esta família, em especial à própria sunamita, o milagre desta conceber um filho, a morte do filho e a providência divida em restabelecer-lhe a vida. Mas quero falar o que chamou a atenção daquela mulher.
O vs 8 começa dizendo que Elizeu dirigindo-se a Suném, havia naquele lugar uma mulher a qual o vendo passar seguidamente por ali o constrangeu a comer pão. E toda vez que Elizeu passava por aquele lugar, chegava para comer pão. Mas algo me chama muito a atenção nesta historia, pois o vs 9 conta-nos que aquela mulher disse ao seu marido: Eis que tenho observado que este que passa sempre por nós é um santo homem de Deus! Tendo ela esta certeza, propôs junto com seu marido em fazer um quarto para toda vez que Elizeu passasse por aquele caminho, tivesse ali um lugar para repousar.
Neste ponto está a diferença de quem verdadeiramente anda com Deus. Outrora nos dias de Elias havia muitos profetas, porém serviam a deuses e não ao verdadeiro Deus. Até aquele momento Elizeu não havia realizado nenhum feito poderoso para que aquela mulher viesse a observar que ele era um santo homem de Deus. A vida de Elizeu foi a pregação para aquela mulher. Não diferente a história se repetiu através dos séculos, onde sempre teve um remanescente fiel que fez a diferença. Ser um servo/serva de Deus não precisa andar tocando trombeta anunciando que é cristão, pois sua vida através de suas ações fala mais alto.
Eu fico maravilhado com a Palavra de Deus, e quando medito no Sl 1, e ver aí a característica dos servos de Deus: “Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios...”. Pode uma fonte jorrar água doce e salgada? Não pode. Por isto o ímpio não tem bom conselho para dar.
O restante do Sl 1 deixo para você meditar: “...nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite.
Pois será como árvore plantada junto à correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai, e tudo quanto fizer prosperará.
Não são assim os ímpios, mas são semelhantes à moinha que o vento espalha.
Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos, porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios conduz à ruína.”
Quantas pessoas se identificam como igreja, mas não vivem no significado da palavra “tirados para fora”. O mistério de servir a Deus está nas palavras de Jesus quando orava por seus discípulos: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” Jo 17.14. Estamos aqui, mas não somos daqui. Esta vida é uma estrada que nos conduz a eternidade, porém a dois caminhos a seguir: Cristo Jesus, a porta da salvação (Jo 14.6), ou o caminho espaçoso e largo (Mt 7.13), que conduz a perdição eterna.
Medite nisto!
Em Cristo,
André Gonçalves.
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